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Férias e filhos pequenos, palavras que não combinam...

Fomos de micro férias até Berlim e correu tudo muito bem, mas decididamente, férias e filhos pequenos não se usam na mesma frase.

Férias - Férias é o plural de féria, um termo que deriva do latim “ferĭa”(“dia de festa”) e que faz referência ao descanso temporário de uma actividade habitual. As férias estão relacionadas com o descanso, o ócio e o turismo. Mas que tem filhos pequenos sabe que isto é uma grande treta e que o significado de férias é que é temporário, pois é uma palavra que se auto-destrói mal acabas de fazer a malas.

A odisseia começa antes de entrares no avião (ou se quisermos ser mais precisos, quando tentas sair de casa com tudo e com todos), ora por causa dos lugares à janela, ora para decidir quem é que vai com quem. Segue-se o tira os casacos (porque viajar no Inverno é fixe e até sai mais barato, mas quando dás conta da quantidade de roupa que tens de por, tirar e segurar, percebes logo que foi má ideia), ao mesmo tempo que prepares os materiais didácticos (os tais que os deviam entreter durante horas)... e quando pensas que está tudo pronto para te sentares, há um que reclama que falta o lápis amarelo que ficou perdido no fim da mochila, que já está guardada no fundo do porta-bagagens, mesmo por cima da tua cabeça! Passamos à segunda fase, tentar descansar ou dormir depois de levantares voo (3h de voo dá para uma boa soneca), até porque estás entre as nuvens e o teu pensamento é que durante 3h vais estar no céu... Esquece lá isso... Mal a luzinha dos cintos de segurança se apaga, um quer fazer xixi, outro tem sede, logo a seguir o primeiro tem fome e depois o outro também quer fazer xixi, e quando já esgotaram todas as artimanhas para te manterem de olhos abertos, et voilá, estás aterrar! Voltamos então à fase inicial, mas agora em processo contrário, arruma os materiais (que entretanto já deu confusão porque ele guardou o que era dela, e até parece que não vão estar juntos os resto das férias), veste os casacos, põe os gorros e aperta os cachecóis, processo acompanhado dos habituais“ “oh mãe tenho calor” “oh mãe já podemos sair” (repetidos 50 vezes, ignorados 51)!

Daqui para a frente, não falta animação, são 500 mil xixis de 5 em 5 minutos (porque não conseguem coordenar as bexigas para irem ao mesmo tempo), 1000 vezes a pergunta “já chegámos?”, 10 000 olhos em cima deles, e não chegam, porque há sempre um que desaparece de vista e tu tens um ataque cardíaco seguido de todos os ataques de pânico e mais algum que possa existir em menos de 1 segundo, imediatamente ultrapassados com um misto de alegria e fúria, porque afinal a criança estava só a 3 passos de ti, mas tu já disseste milhões de vezes para não saírem de ao pé de ti (1 cm de distância é o máximo que podem ir); a isto tudo ainda conseguimos juntar a hora das refeições, que são sempre de cortar pulsos, porque quando finalmente te sentas, depois de uma guerra para decidir o que vão comer, porque um quer assim, outro quer assado, e como seria de esperar nenhum tem o que quer (porque no fim são só porcarias) e amuam e reclamam e às vezes até choram, diz ela: “oh mãe, tenho de ir à casa de banho” (é neste momento que dás graças a deus a segurança social não ter poderes para ler os teus pensamentos)!

Tirando isto tudo, as crias portaram-se lindamente e estas micro-férias correram muito bem, até porque os amigos que se juntaram a nós foram uma excelente companhia e trouxeram mais uma cria! Divertimos-nos imenso e conseguimos resistir à tentação de deixar os nossos chimpanzés no zoo por uma tarde!

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