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Hoje levei um murro e agradeci...


A segunda-feira é aquele dia em que me organizo mentalmente para o resto da semana e geralmente tenho uma boa relação com este dia, até porque na maioria das vezes estou bem disposta e gosto de (re)começar, mas hoje levei um murro no estômago e tive que parar para me organizar outra vez, não só para o resto da semana mas talvez para o resto da vida...

No arquivo onde ia ter uma reunião estava um rapazinho, que fiquei a saber depois, com 13 anos, numa cadeira de rodas, que me pediu a mão mal me viu entrar... dei-lhe a mão e fiquei uns bons minutos de mão dada com ele, a sua pele era suave e fria... durante esse tempo falei com o pai que me disse que o Isaac não falava e mal se mexia, o que percebi mal o vi pela forma como as fitas o seguravam à cadeira e as próteses nas pernas... despedi-me do pai com um adeus e do Isaac com um beijo na mão que segurava a minha...e nesse momento o meu coração encheu-se de tristeza e muita angústia, ao mesmo tempo que agradecia a todos os santos e credos a sorte que tenho, pois tenho um quase com 12 anos que corre, salta, mergulha e fala pelos cotovelos...

No caminho de casa pensei em todas as vezes que reclamo porque não estão quietos, porque não se calam um minuto, porque refilam, porque, porque.... e chorei por ser tão parva e reclamar por ter dois filhos saudáveis e barulhentos, tal como todas as crianças devem ser...

Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre maus tratos a crianças, situações de guerra ou condições de vida degradantes, mas quando não é notícia e damos por nós a dar a mão à realidade levamos um murro no estômago que nos obriga a pensar na vida e, a agradecer tudo o que temos, não devia ser assim, não devia ser preciso levar um murro destes (e este já é o segundo que levo) para nos lembrar a sorte que temos e o quanto devemos agradecer... mas às vezes é preciso e hoje foi dia.

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